Introdução
É a partir dos trabalhos seminais de Jaworski e Kohli (1990 e 1993); Narver e Slater (1990 e 1994) e
Deshpandé, Farley e Webster (1993) que nasce um corpo de pesquisas interessado em redescobrir os
conceitos fundamentais do marketing através da operacionalização do construto
Orientação para o Mercado (OM) e da construção de instrumentos para sua
mensuração. Desde então, muita atenção tem sido dispensada ao tema,
principalmente à relação entre o grau de orientação para o mercado da
empresa e o seu desempenho. Apesar de alguns autores considerarem a relação preditiva entre a
orientação para o mercado e o desempenho empresarial uma questão indefinida, que carece
ainda de maior evidência empírica para ser aceita como válida (Deshpandé e Farley,
1998; Hooley et al.,2005; Baker e Sinkula, 2005; Perin, Sampaio e Hooley, 2006; Perin e Sampaio, 2006), um
grande número dos estudos publicados até agora, tem mostrado a existência de uma
relação significativa e positiva entre esses dois construtos considerando-se diferentes escalas
de OM e diversos indicadores de desempenho (Narver e Slater, 1998; Narver e Slater, 1990; Ruekert, 1992;
Deshpandé, Farley e Webster, 1993; Jaworski e Kohli, 1993; Slater e Narver, 1994; Pelham e Wilson,
1996; Oczkowski e Farrel, 1998, Appiah-Adu, 1997, dentre outros)
No entanto, como colocam Bhuian (1998) e Appiah-Adu (1997), a robustez dessa relação ainda
precisa ser mais bem estabelecida em diferentes contextos com amostras diversas. A maioria das pesquisas sobre
orientação para o mercado tem sido realizada nos EUA ou em países industrializados
(Fritz, 1996; Greenley, 1995a, 1995b; Pitt, Caruana e Berthon, 1996) e poucos estudos têm tentado
validar o modelo de orientação para o mercado e sua escala em ambientes
empresariais/culturais diferentes, particularmente em países em desenvolvimento (Bhuian, 1998:14).
Replicações em outras culturas nacionais poderiam oferecer uma importante
contribuição ao conhecimento existente e ajudar a aumentar nossa compreensão da
significância global do conceito de orientação para o mercado (Appiah-Adu, 1997, p. 2 e
24).
Embora já haja algum suporte empírico para hipotetizar uma relação significativa
e positiva entre a Orientação para o Mercado e o Desempenho Empresarial, ainda existem muitas
dúvidas sobre o efeito moderador do ambiente. Alguns autores têm sugerido que a
relação entre orientação para o mercado e desempenho pode ser mais forte ou mais
fraca dependendo das características do ambiente onde a empresa atua (Houston, 1986; Lusch e Laczniac,
1987; Slater e Narver, 1994; Greenley, 1995a, 1995b; Bhuian, 1998; Pulendran, Speed e Widing II, 2000). Para
Kohli e Jaworski (1990), comprometer recursos para desenvolver uma Orientação para o Mercado
poderia resultar em desperdício se, em certos ambientes, esta orientação não levar
a empresa a obter um melhor desempenho. Nesse sentido, a questão apropriada não seria a
orientação para o mercado per se, mas o que as empresas percebem como sendo um
nível ótimo de Orientação para o Mercado onde atuam ou pretendem atuar (Narver e
Slater, 1990). É justamente a partir dessa inquietação – tratada na literatura
internacional – mas ainda “ausente” das discussões nacionais, que se constitui o
objetivo básico do presente trabalho. Com ele, pretendemos contribuir para trazer à baila
elementos que nos ajudem a avançar no debate acerca da influência de fatores contextuais externos
na relação entre a Orientação para o Mercado e desempenho empresarial. Para tanto,
foi desenvolvido um estudo de caráter descritivo através do método de levantamento de
corte transversal, tomando como unidade de análise pequenas empresas varejistas do centro-oeste
mineiro. Mais do que investigar a relação entre Orientação para o Mercado (OM)
– mensurada através da escala proposta por Narver e Slater (1990) – e o Desempenho
Empresarial – operacionalizado segundo indicadores subjetivos que serão descritos mais adiante -,
procuramos incluir nessa “equação” duas variáveis ambientais - a
Intensidade Competitiva (IntCom) e a Turbulência de Mercado (TurMer) –
operacionalizadas através das escalas propostas por Jaworski e Kohli (1993).
Modelo conceitual da pesquisa
Um modelo pode ser entendido como “uma representação da realidade com o objetivo de
mostrar relacionamentos entre os vários elementos de um sistema ou processo sob
investigação” (Narver e Slater, 1990, p. 45). Ainda segundo Narver e Slater (1990), os
modelos teóricos auxiliam na compreensão da realidade em estudo, na medida em que explicitam a
relação entre os construtos envolvidos e proporcionam um panorama dos antecedentes e/ou
conseqüências do construto sendo analisado. Para orientar a pesquisa, partimos do modelo conceitual
que mostra a Figura 1.

Figura 1 – Modelo conceitual simplificado de pesquisa
Levando em consideração o caráter exploratório desse estudo (já que
representa uma aplicação inicial de uma escala ainda não muito bem testada no Brasil e,
menos ainda, no contexto de pequenas empresas varejistas) e a complexidade dos modelos originais (Kohli e
Jaworski, 1990; Jaworski e Kohli, 1993: Kohli, Jaworski e Kumar, 1993; Narver e Slater, 1990; Slater e Narver,
1994) “mais completos” (que incluem outras variáveis antecedentes, intervenientes e
conseqüentes) de orientação para o mercado, optou-se por simplificar as
relações hipotetizadas entre os construtos e trabalhar, a princípio, com as
relações mais simples estabelecidas na literatura da área. Desse modo, a Figura 1
descreve o modelo teórico simplificado utilizado inicialmente na presente pesquisa. Supõe-se,
nesse caso, de maneira geral, uma relação significativa e positiva entre a
Orientação para o Mercado (OrMer) e o Desempenho das empresas (OrMer à
Des). De maneira específica, e central para esse trabalho, hipotetizamos ainda que: quanto maior a
intensidade competitiva, maior é o impacto da orientação para o mercado no desempenho
empresarial (H1) e, que quanto maior a turbulência de mercado
maior é o impacto da orientação para o mercado no desempenho empresarial (H2).
A orientação para o mercado
Apesar da existência de outras importantes linhas de pesquisa (Deshpandé, Farley e Webster,
1993; Deshpandé e Farley, 1998; Day, 1994; Kohli e Jaworski, 1990, 1993), tomamos com referência
principal aqui, o trabalho de Narver e Slater (1990, 1994). Narver e Slater (1990) definem a
orientação para o mercado como uma cultura empresarial que estimula comportamentos
necessários à criação continuada de valor superior ao cliente, proporcionando, com
isso, vantagem competitiva para a empresa. Para os autores, a orientação para o mercado é
um construto unidimensional composto por três componentes comportamentais: (1) orientação
para o cliente (OrCli) – envolve a compreensão das necessidades e expectativas presentes e
futuras do mercado-alvo; (2) orientação para os concorrentes (OrCon) – pressupõe
que a empresa conheça as forças e fraquezas de curto prazo, bem como as capacidades e
estratégias de longo prazo, dos seus concorrentes atuais e potenciais; e (3) coordenação
interfuncional (CorIn) – compreende a utilização coordenada dos recursos da empresa para
gerar valor superior para os consumidores-alvo. Aliados aos componentes comportamentais, Narver e Slater
(1990) ressaltam dois critérios de decisão que também deveriam compor o conceito de
orientação para o mercado: o foco no longo prazo e na lucratividade. Narver e Slater (1990)
também desenvolveram sua escala – denominada MKTOR - para medir o grau de
orientação para o mercado das empresas.
No presente trabalho, utilizamos a escala MKTOR proposta por Narver e Slater (1990). A escolha se justifica
principalmente pela constatação de que ela tem sido relativamente pouco aplicada nos estudos
desenvolvidos no Brasil. Acreditamos que essa seria uma forma de contribuir para o teste e
validação de uma escala ainda pouco utilizada no Brasil, bem como para a
comparação entre as escalas (MARKOR x MKTOR), na busca de um instrumento de
mensuração melhor adaptado às condições brasileiras. Cabe destacar, ainda
que, essa escolha pode não ser “de todo errada”, se considerarmos os resultados a que
chegaram Deshpandé e Farley (1998).
O desempenho empresarial
O desempenho empresarial é um importante e recorrente componente das pesquisas empíricas em
Administração Mercadológica sendo e tem sido foco da atenção de
acadêmicos e práticos. No entanto, definir e medir esse construto, bem como selecionar
indicadores que melhor representem o desempenho geral das empresas, não são tarefas das mais
fáceis. A sua complexidade e a sua multidimensionalidade (aliadas a diferentes questões de
pesquisa, foco disciplinar e disponibilidade de dados) dificultam a seleção de um esquema
conceitual para definir e identificar medidas acuradas para operacionalizá-lo (Venkatraman e Ramanujam,
1987; Pelham e Wilson, 1996; Dess e Robinson, 1984; Carneiro et al, 2005). Quando se trata de medir o
desempenho de pequenas empresas (como as que estudamos aqui) e/ou de empresas com capital fechado,
invariavelmente nos deparamos com a dificuldade de obter dados referentes a indicadores objetivos devido
à sua inexistência, indisponibilidade e/ou confidencialidade. Nesse caso, é
necessário lançar mão de medidas “alternativas” de avaliação de
desempenho. Nesse contexto, muitos autores têm preferido utilizar medidas subjetivas de desempenho pela
maior facilidade de obter respostas (Pelham e Wilson, 1996) e pela possibilidade de comparar diferentes
indústrias e segmentos (Slater e Narver, 1994). Enquanto as medidas objetivas se referem a
índices “exatos” de desempenho, apurados numericamente pelas empresas, as medidas
subjetivas são colhidas através da percepção dos gestores sobre determinado(s)
aspecto(s) do desempenho da empresa (Dess e Robinson, 1984; Carneiro et al, 2005).
Para efeito da presente pesquisa, trabalhamos com algumas das medidas subjetivas (que serão
apresentadas mais adiante) que foram utilizadas em estudos anteriores sobre Orientação para o
Mercado para operacionalizar e medir o desempenho das empresas (Kohli e Jaworski, 1990, 1993, Slater e Narver,
1994, 1995; Perim e Sampaio, 2003; Pelham e Wilson, 1996; Deshpandé, Farley e Webster, 1993; Perin,
2001). Além de subjetivas, utilizamos também medidas que são relativas. As medidas
relativas comparam os resultados da empresa com algum benchmarking (no nosso caso, por exemplo, com
os principais concorrentes) aportando informação adicional em relação às
medidas absolutas.
Os fatores contextuais externos
Dentre as diferentes possíveis variáveis que normalmente têm sido utilizadas para
operacionalizar o ambiente competitivo – e conseqüentemente para verificar o seu impacto -, nas
pesquisas relacionadas ao construto Orientação para o Mercado, três aparecem com mais
freqüência – a intensidade competitiva, a turbulência de mercado e a turbulência
tecnológica (Jaworski e Kholi, 1993; Slater e Narver, 1994; Greenley, 1995a, 1995b). Cada uma delas
procura lidar com elementos que, de maneira geral, são tidos como determinantes para o comportamento
estratégico das empresas, a saber, competidores, clientes e tecnologia. No presente trabalho foram
utilizadas duas – dessas três – variáveis, tal como foram propostas por Jaworski
& Kohli (1993) – intensidade competitiva (IntCom) e turbulência de mercado (TurMer). Tendo em
vista as características do setor pesquisado – pequeno comércio varejista –
decidiu-se não incluir a variável relativa à turbulência tecnológica. A
operacionalização das variáveis se fez, a exemplo de outros estudos relativos à
Orientação para o Mercado (Narver e Slater, 1990; Jaworski e Kholi, 1993), através de
medidas perceptuais-subjetivas.
Conforme Kohli e Jaworski (1990) observaram, em setores onde a competição não é
tão acirrada, uma organização pode obter um bom desempenho ainda que não seja
orientada para o mercado porque os clientes se vêem “obrigados” a consumir os produtos e
serviços disponíveis. Por outro lado, em ambientes onde a competição é
intensa, os clientes passam a ter opções de escolha para satisfazer suas necessidades e uma
organização que não esteja orientada para o mercado poderia perder seus consumidores para
os concorrentes. Sendo assim, seria de se esperar que a orientação para o mercado fosse mais
importante para determinar o desempenho empresarial em ambientes altamente competitivos (Jaworski e
Kholi, 1993, p.57).
Percurso metodológico
Para atingir os objetivos propostos foi desenvolvido um estudo de caráter descritivo através do
método de levantamento de corte transversal. Normalmente, os estudos descritivos são utilizados,
entre outras razões, para determinar o grau de associação entre variáveis e para
fazer previsões específicas, a partir de hipóteses formuladas previamente com base em um
modelo teórico (Churchill, 1999; Malhotra, 2001). A amostra utilizada deve ser caracterizada como
não-probabilística. Ela foi obtida por julgamento (ou seja, foram pré-escolhidas pequenas
empresas varejistas “conhecidas e reconhecidas” em suas respectivas cidades de uma micro
região brasileira e que aparentemente, a partir da percepção dos pesquisadores e tendo em
conta o seu contexto social-econômico-geográfico específico, contam com um nível
razoável de organização e de “profissionalização” da
gestão) e por acessibilidade (nem todas as empresas previamente “selecionadas” se
dispuseram a responder o questionário). Vale ressaltar que o número de 100 (cem) respondentes
“válidos” (20 em cada uma das cidades) foi estabelecido como alvo para o encerramento da
coleta de dados. Assim, empresários (pequenos varejistas) de 5 (cinco) diferentes pequenas cidades (com
menos de 50.000hab) do centro-oeste do estado de Minas Gerais (Arcos, Formiga, Lagoa da Prata, Bambuí e
Pains) foram procurados e convidados a participar da pesquisa. Os questionários foram respondidos na
presença dos pesquisadores, o que ajudou a minimizar problemas relativos às dúvidas que
surgissem durante o preenchimento. Os dados coletados foram tabulados e submetidos a análises uni e
mutlivariadas com o auxílio do SPSS (Statistical Package for the Social Science).
Com relação à caracterização da amostra, verificou-se que 69,3% das
empresas pesquisadas têm até 10 funcionários e apenas 16,8% possuem de 11 a 20
funcionários. Ademais, 80% dessas empresas são compostas de apenas um estabelecimento e apenas
8% delas são integrantes de redes de franquias. No que tange ao tempo de atuação,
verifica-se a tendência de empresas jovens, visto que 62,4% delas têm até 10 anos de idade
e 24,8% de 11 a 20 anos.
Operacionalização dos contrutos
O instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário composto por 33 (trinta e três)
questões distribuídas da seguinte maneira: (1) itens relativos à escala
de Orientação para o Mercado (Escala MkTor - Narver e Slater, 1990) que se referem aos
construtos Orientação para os Clientes (OrCli - Q2, Q4, Q7, Q9, Q10, Q11),
Orientação para os Concorrentes (OrCon - Q1, Q3, Q12, Q14) e
Coordenação Interfuncional (CorIn - Q5, Q6, Q8, Q13, Q15);
(2) indicadores subjetivos de desempenho da empresa nos últimos três anos (Q16 a
Q22); (3) caracterização da empresa e do respondente (Q23 a Q27); e
(4) itens relativos às variáveis ambientais segundo escala proposta por
Jaworski e Kohli (1993) - Turbulência de Mercado (TurMer - Q23, Q24, Q25, Q26, Q27) e Intensidade
Competitiva (IntCom - Q28, Q29, Q30, Q31, Q32, Q33). Foram utilizadas escalas do tipo Likert de 5
pontos com diferentes âncoras (Discordo Totalmente – Concordo Totalmente, para os itens
relativos à escala de Orientação para o Mercado e de Turbulências de Mercado e
Competitiva. Muito Abaixo – Muito Acima do Esperado e Muito Pior – Muito Melhor do
que os Concorrentes, para itens de avaliação subjetiva do desempenho).
Para fins de aplicação nesse trabalho, respeitando-se os conceitos empregados no trabalho
original, a escala de Orientação para o Mercado – MKTOR de Narver e Slater (1990), e a
escala de Turbulência de Mercado e Competitiva - Jaworski e Kohli (1993), originalmente em inglês,
foram convertidas para a língua portuguesa através do método de tradução
paralela (Malhotra, 2001).
Uma medida global para cada um dos construtos (OrCli, OrCon e CorIn) foi calculada a partir da média
aritmética simples das respostas dadas às questões que funcionaram como seus respectivos
indicadores – a partir deles chegamos aos valores para OrMer. O mesmo procedimento foi seguido para os
construtos (TurMer e IntCom). Além dos indicadores de desempenho descritos no quadro acima (DesGer,
DesEsp, DesCus, DesCon, DesVen, DesCli e DesNp) tomados isoladamente, uma medida global para o desempenho
geral percebido (DesMed) foi calculada a partir da média aritmética simples das respostas dadas
às questões Q17 a Q22 – procuramos com isso estabelecer um indicador de desempenho que
abarcasse diferentes dimensões desse conceito. Esse Desempenho Médio (DesMed) foi tratado, a
partir de então, como mais um construto tendo sua unidimensionalidade e confiabilidade verificados.
Nesse procedimento de agregação de escalas (summated scales) as variáveis
latentes foram transformadas em variáveis observáveis (Malhotra, 2001, Churchill, 1999).
Análise dos dados
Uma premissa fundamental para a análise estatística multivariada é a normalidade dos
dados, ou seja, o quanto a distribuição de dados de uma determinada variável
métrica obtida se aproxima de uma distribuição normal. No âmbito do presente
trabalho, utilizamos duas formas básicas para avaliar essa premissa: parâmetros de assimetria
(skewness) e curtose (kurtosis) e os testes de Shapiro-Wilk e Kolmogorov-Smirnov.
Ambos confirmaram a hipótese de normalidade das variáveis utilizadas em nossas análises.
Tratando especificamente das escalas empregadas na pesquisa, iniciamos nosso trabalho procurando verificar a
unidimensionalidade– que não é medida através do alfa de Cronbach –
de cada um dos construtos (OrCli, OrCon, CorInt, TurMer, IntCom e DesMed) incluídos no instrumento de
coleta de dados. Para tanto, lançamos mão da análise de componentes principais.
Uma vez submetidos a essa análise, foram detectados “problemas” de unidimensionalidade nos
seis construtos. Todos eles apresentaram dois fatores cada. Dessa forma, fomos “obrigados”, para
manter a sua estrutura teórica original, a retirar da escala as questões Q18 (DesMed), Q10
(OrCli), Q14 (OrCon), Q6 e Q15 (CorIn), Q23 e Q27 (TurMer), Q26 (IntCom). Observa-se que, então, o
Teste de Esferecidade de Bartlett mostrou-se significativo para todos os construtos e a Medida de
Adequação da Amostra – KMO – situou-se dentro dos limites
“aceitáveis” (Hair et al, 2005). Tomada essa decisão, seguimos adiante passando
à análise de confiabilidade das escalas através do alfa de Cronbach. Como a escala MKTOR
é composta, teoricamente, por três dimensões (CorIn, OrCli e OrCon) que “dão
vida” ao construto orientação para o mercado (OrMer), o cálculo da confiabilidade
foi realizado separadamente para cada uma das dimensões e para a escala completa (Malhotra, 2001). Os
valores do alfa de Cronbach para as escalas utilizadas nesse trabalho são: OrMer = 0,672;
TurMer = 0,562; IntCom = 0,618; DesMed = 0,731.
Compondo grupos de empresas de acordo com a percepção dos fatores contextuais
Tendo em vista o nosso objetivo de verificar qual a influência de fatores contextuais externos na
relação entre a Orientação para o Mercado e desempenho empresarial, foi
necessário, como um primeiro passo, dividir as empresas em diferentes grupos a partir da sua
percepção com relação às duas variáveis ambientais consideradas no
estudo – IntCom e TurMer. Para tal, procedemos da seguinte forma:
Grupo 1 – Empresas com uma percepção de IntCom
Alta → empresas cuja média particular para a variável IntCom
é maior do que a média geral da variável IntCom (considerando toda a amostra –
n=100) - [IntCom] > (Média)
Grupo 2 – Empresas com uma percepção de IntCom
Baixa → empresas cuja média particular para a variável IntCom
é menor ou igaul a média geral da variável IntCom (considerando toda a amostra –
n=100) - [IntCom] <= (Média)
Grupo 3 – Empresas com uma percepção de TurMer Alta →
empresas cuja média particular para a variável turMer é maior do que a média geral
da variável TurMer (considerando toda a amostra – n=100) - [TurMer] >
(Média)
Grupo 4 – Empresas com uma percepção de TurMer Baixa →
empresas cuja média particular para a variável TurMer é menor ou igaul a média
geral da variável TurMer (considerando toda a amostra – n=100) - [TurMer] <=
(Média)
Estabelecidos os grupos, passamos a um segundo passo: verificar, através da análise de
variâncias (ANOVA) e do teste de t entre as médias, se existiam diferenças
significativas para as variáveis (OrMer, TurMer e IntCom) nesses 4 (quatro) grupos de empresas –
tomados dois a dois. O objetivo aqui era saber se podíamos, efetivamente, “falar” de quatro
grupos distintos, ou se a diferença entre elas não era significativa. A Tabela 1, abaixo, traz
os resultados dessa análise.
Tabela 1 – Comparando os grupos
|
Médias
|
Intensidade Competitiva
|
Médias
|
Turbulência de Mercado
|
|
Grupo1 (n=58)
|
Grupo 2 (n=42)
|
Grupo 3 (n=64)
|
Grupo 4 (n=36)
|
|
IntCom**
|
4,37
|
2,89
|
TurMer**
|
4,55
|
2,98
|
|
OrMer*
|
4,10
|
3,80
|
OrMer*
|
4,11
|
3,74
|
Fonte: Coleta de Dados (2007)
Nota: *p < 0,05 - **p < 0,01: para a diferença entre as médias.
A partir do que ilustra a Tabela 1 é possível dizer que há diferenças
significativas, tanto entre as médias das variáveis IntCom e OrMer dos Grupos 1 e 2 –
relacionados à Intensidade Competitiva -, quanto entre as médias das variáveis TurMer e
OrMer os Grupos 3 e 4 – relacionados à Turbulência de Mercado. Os resultados da
análise de variância (ANOVA) também aponta na mesma direção – F =
5,441 e sig. = 0,022 entre Grupos 1 e 2; F = 8,318 e sig. = 0,005 entre Grupos 3 e 4.
Pode-se observar aqui que as empresas dos Grupos 1 e 3, ou seja, aquelas cujos empresários percebem o
seu setor como altamente competitivo (concorrentes) e turbulento (clientes), apresentam maiores
médias para o construto Orientação para o Mercado. Médias significativamente
maiores do que aquelas apresentadas pelas empresas dos Grupos 2 e 4, ou seja, aquelas cujos empresários
percebem o seu setor como “nem tanto” competitivo (concorrentes) ou turbulento
(clientes). Ao que parece, confirma-se o pressuposto geral, de que em mercados percebidos
como turbulentos e competitivos as empresas procuram desenvolver uma maior Orientação para o
Mercado (Kholi e Jaworski, 1990; Jaworski e Kholi, 1993; Slater e Narver, 1994). Essas são
observações que, entretanto, ainda não nos permitem dizer nada sobre a variável
desempenho ou, mais diretamente, sobre a influência dos fatores contextuais externos – IntCom e
TurMer - na relação entre a Orientação para o Mercado e desempenho empresarial O
terceiro passo do processo de análise nos leva nessa direção. Consistiu em
“rodar” um modelo de regressão - [Desempenho] = +
.[OrMer] + e – para cada um dos quatro grupos e
compará-los – uma vez mais, dois a dois.
Nesse caso, entretanto, acrescentamos na análise, um quinto grupo que incorpora todas as empresas da
amostra, independente da sua percepção com relação às variáveis
ambientais. Ele funcionou como uma espécie de “grupo de controle”. Pretendíamos,
assim, responder à nossa questão de pesquisa. Existe alguma diferença na
relação entre Desempenho e OrMer – medido pela “força” do modelo de
regressão -, entre esses grupos. Na medida em que tratamos separadamente cada um desses fatores
contextuais externos, optamos por apresentar as análises também separadas. Os resultados obtidos
para cada um dos modelos de regressão gerados podem ser visto nas Tabelas 2 e 3, a seguir. Vale a pena
ressaltar que há um modelo para cada variável desempenho – DesGer, DesMed e DesEsp –
consideradas nesse estudo, isto é, com as quais foi encontrada uma correlação positiva e
significativa com a Orientação para o Mercado (OrMer).
De maneira geral, os resultados destacam que os modelos obtidos têm, em geral, um ajuste pequeno
(R2ajustado) explicando apenas, no máximo, algo em torno de 15% da variação total na
variável Desempenho que é explicada pelo modelo de regressão construído (Malhotra,
2001). Apesar de um ajuste pequeno (R2ajustado pequenos) o modelo de regressão e os coeficientes
são, na maioria dos casos, significativos (p < 0,05), o que nos permite, tendo em vista as
peculiaridades da pesquisa em ciências sociais, persistir na análise para extrair
conclusões dotadas de relevância prática. A constatação de um coeficiente de
regressão significativo implica a consideração de que a relação entre as
duas variáveis se comprova empiricamente (Hair et al., 2005). Baixos níveis de ajuste
dos modelos de regressão também aparecem em outros realizados no Brasil (Perin e Sampaio, 1999;
Sampaio, Perin e Henriqson, 2005). Essa é uma constatação que já vem sendo
discutida na literatura. Hooley et al (2001; 2005), por exemplo, apontam que os efeitos da
Orientação para o Mercado no desempenho podem ser mediados por outros construtos. Nesse sentido,
ao invés de um “impacto” direto, a Orientação para o Mercado influenciaria o
desempenho de forma indireta através da sua contribuição para o desenvolvimento, na
empresa, de capacidades gerenciais (gerenciamento financeiro, de recursos humanos, e de
operações), de inovação de mercado (desenvolvimento e lançamento de novos
produtos) e de conexão com os clientes (relacionamento, compreensão das necessidades). Essas
capacidades, por sua vez, é que estariam mais “diretamente” relacionadas ao desempenho
(Hooley et al.,2005; Baker e Sinkula, 2005; Perin, Sampaio e Hooley, 2006; Perin e Sampaio, 2006).
Tomando-se todos os modelos “rodados”, é possível afirmar que a
Orientação para o Mercado (OrMer), tomada de maneira agregada, contribui positivamente para o
desempenho das empresas incluídas na amostra, independente da sua percepção relativa aos
fatores contextuais externos confirmando a hipótese geral de que “a orientação para
o mercado está positiva e significativamente relacionada com o desempenho”.
Analisando a influência da IntCom na relação OrMer → [Des]
Tabela 2 - Modelo de regressão (método enter) - Modelos
- [Desempenho] = + .[OrMer] + e
|
Intensidade Competitiva
|
Variável Dependente
|
Variável Independente
|
Correlação*
|
padron.
|
Sig.
(Coef.)
|
R2 ajustado
|
Sig.
(Mod. Regressão)
|
|
Grupo 1
|
DesGer
|
OrMer
|
0,407
|
0,542
|
0,001
|
0,151
|
0,001
|
|
Grupo 5
|
0,330
|
0,330
|
0,001
|
0,100
|
0,001
|
|
Grupo 2
|
0,303
|
0,316
|
0,051
|
0,069
|
0,051
|
|
Grupo 1
|
DesMed
|
OrMer
|
0,398
|
0,377
|
0,002
|
0,144
|
0,002
|
|
Grupo 5
|
0,290
|
0,290
|
0,003
|
0,075
|
0,003
|
|
Grupo 2
|
0,259
|
0,180
|
ns
|
0,044
|
ns
|
|
Grupo 1
|
DesEsp
|
OrMer
|
0,380
|
0,620
|
0,003
|
0,130
|
0,003
|
|
Grupo 5
|
0,257
|
0,257
|
0,009
|
0,057
|
0,009
|
|
Grupo 2
|
0,130
|
0,166
|
ns
|
0,000
|
ns
|
Fonte: Coleta de Dados (2007) - Nota: * Correlação de Pearson: p
< 0,01.
De maneira específica, tratando agora de comparar as relações entre OrMer e Desempenho,
nos diferentes Grupos 1, 2 e 5, pode-se constatar que, independentemente da variável desempenho
utilizada, os modelos de regressão relativos ao Grupo 1 – Intensidade Competitiva alta –
são significativamente “mais fortes” como se havia hipotetizado. Pelo menos três
aspectos ajudam a estabelecer essa constatação. Primeiro, os valores do coeficiente de
correlação que indicam uma relação mais forte entre OrMer eDesempenho(s) em
mercados cuja percepção dos empresários é de uma competição mais
acirrada. Segundo, os coeficientes de regressão b que apontam um impacto, também maior, da OrMer
(enquanto variável independente) no desempenho no Grupo 1 – a OrMer contribui, assim, no Grupo 1,
mais do que nos Grupos 2 e 5, para a previsão do Desempenho (enquanto variável dependente).
Terceiro, e de maneira complementar, os resultados destacam, ainda, que os modelos de regressão obtidos
têm, para o Grupo 1, um ajuste (R2ajustado) consideravelmente maior do que aqueles
observados nos Grupos 2 e 5, explicando aproximadamente 15% da variação total na variável
Desempenho - apesar de um valor “absoluto” R2ajustado = 15% ser pequeno, ele representa, nesse
caso, quando comparado com os valores obtidos para os demais grupos, um “incremento relativo de
previsão” muito grande.
Analisando a influência da TurMer na relação OrMer → [Des]
Tabela 3 - Modelo de regressão (método enter) - Modelos
- [Desempenho] = + .[OrMer] + e
|
Turbulência Mercado
|
Variável Dependente
|
Variável Independente
|
Correlação*
|
padron
|
Sig.
(Coef.)
|
R2 ajustado
|
Sig.
(Mod. Regressão)
|
|
Grupo 3
|
DesGer
|
OrMer
|
0,281
|
0,386
|
0,025
|
0,064
|
0,025
|
|
Grupo 5
|
0,330
|
0,330
|
0,001
|
0,100
|
0,001
|
|
Grupo 4
|
0,331
|
0,334
|
0,045
|
0,084
|
0,045
|
|
Grupo 3
|
DesMed
|
OrMer
|
0,276
|
0,247
|
0,027
|
0,061
|
0,027
|
|
Grupo 5
|
0,290
|
0,290
|
0,003
|
0,075
|
0,003
|
|
Grupo 4
|
0,294
|
0,234
|
ns
|
0,060
|
0,078
|
|
Grupo 3
|
DesEsp
|
OrMer
|
0,224
|
0,360
|
ns
|
0,035
|
ns
|
|
Grupo 5
|
0,257
|
0,257
|
0,009
|
0,057
|
0,009
|
|
Grupo 4
|
0,270
|
0,365
|
ns
|
0,046
|
ns
|
Fonte: Coleta de Dados (2007) - Nota: * Correlação de Pearson: p
< 0,01.
Tratando agora de comparar as relações entre OrMer e Desempenho, nos diferentes Grupos 3, 4 e
5, pode-se constatar um comportamento totalmente diferente daquele relacionada à variável
Intensidade Competitiva. Aqui, independentemente da variável desempenho utilizada, os modelos de
regressão relativos ao Grupo 3 – Turbulência de Mercado alta – não são
significativamente “mais fortes” como se havia hipotetizado. Tanto os valores de
correlação entre OrMer e Desempenho, quanto os coeficientes b e, ainda os ajustes dos modelos de
regressão (R2ajustado) não se mostraram significativamente diferentes. Nesse caso, o
“comportamento” relação entre Orientação para o Mercado e Desempenho
não é influenciada pela diferença de percepção dos empresários
relativa à Turbulência do Mercado - seja ela percebida como alta ou baixa. Essa é uma
constatação que vai de encontro ao que já havia observado Slater e Narver (1994) e
Greenley (1995b). Segundo Greenley (1995b) a orientação para o mercado pode, inclusive,
não ser vantajosa em mercados muito turbulentos. Em mercados com altos níveis de
turbulência as mudanças das necessidades dos clientes requerem maiores alterações
nas atividades (nos comportamentos, nas estruturas, na cultura etc) de marketing caso se pretenda atingir um
maior desempenho. Os custos envolvidos nessas alterações, entretanto, tendem a se tornar
desproporcionalmente grandes, principalmente quando comparados com os aumentos das vendas que, justamente em
mercados desse tipo, são ainda mais difíceis de serem conseguidos. Nesse caso, talvez não
seja interessante responder erraticamente às mudanças do mercado (Greenley, 1995b, p.9). Slater
e Narver (1994), de maneira semelhante, apontam que a orientação para o mercado é uma
forma particular de cultura empresarial cujo processo de construção, desenvolvimento e/ou
manutenção requer um investimento considerável de recursos (tempo, dinheiro etc) e
perguntam – ainda que encontrássemos evidências mais significativas sobre o efeito
moderador da turbulência de mercado seria necessário perguntar-se se essas
condições do ambiente são duráveis o suficiente para justificar os custos
envolvidos na tentativa da empresa de “ajustar a sua orientação para o mercado” a
eles? (p.53).
Considerações finais
Uma primeira conclusão a que podemos chegar com o trabalho – ainda que esse não fosse o
nosso objetivo principal - é de que a orientação para o mercado tem uma
relação direta e significativa com o desempenho das pequenas empresas varejistas da
região centro-oeste de Minas Gerais. Nesse sentido, a princípio, essas empresas deveriam buscar
ampliar o seu grau de orientação para o mercado para tentar aumentar as suas possibilidades de
obter um melhor desempenho. De maneira geral, observou-se ainda que a percepção de altos
níveis de Intensidade Competitiva (Grupo 1) e de Turbulência de Mercado (Grupo 3) estão
associados a graus de Orientação para o Mercado também maiores. Aquelas empresas que
percebem o seu ambiente como menos “turbulento” (Grupo 4) ou menos “competitivo”
(Grupo 2), por sua vez, têm desenvolvido uma menor Orientação para o Mercado. Essas
são hipóteses que ficam normalmente subentendidas quando o assunto é verificar o efeito
de fatores contextuais. Entretanto, e aí sim, entramos naquele que era o ponto central desse trabalho,
a relação entre Orientação para o Mercado e Desempenho pode variar, conforme
apontam estudos anteriores, em função desses fatores contextuais externos como o grau de
Intensidade Competitiva e de Turbulência do Mercado em que as empresas atuam.
Especificamente no que diz respeito à análise da relação OrMer → Desempenho
diante de diferentes condições ambientais percebidas, os resultados obtidos na presente pesquisa
apontam para uma diferença significativa quando comparamos grupos de empresas tendo como
referência a Intensidade Competitiva. Nesse caso, comparando os Grupos 1 (IntCom alta) e 2 (IntCom
baixa) há elementos para dizer que a orientação para o mercado está mais
fortemente relacionada ao desempenho, ou que maior é o impacto da orientação
para o mercado no desempenho empresarial (H1). Essas diferenças se mostram consistentes, ainda,
quando comparadas com o Grupo 5 (“grupo controle”). Essa mesma análise - da
relação OrMer → Desempenho - aponta para uma diferença não significativa
quando comparamos grupos de empresas tendo como referência a Turbulência de Mercado. Nesse caso,
comparando os Grupos 3 (TurMer alta) e 4 (TurMer baixa) não há elementos para dizer que a
orientação para o mercado está mais fortemente relacionada ao desempenho, ou que
maior é o impacto da orientação para o mercado no desempenho empresarial
(H2). Essas diferenças se mostram inconsistentes, ainda, quando comparadas com o Grupo 5 (“grupo
controle”). Dessa maneira, mais do que resolver a questão, e essa sequer era nossa
pretensão, aportamos à literatura da área mais um estudo – esse, entretanto,
realizado aqui, em um contexto mais próximo da nossa “realidade” - que aponta resultados
não conclusivos, mas relevantes para “abrir o debate ainda incipiente” sobre a
influência dos fatores contextuais externos.
Ao que parece, pelo menos tomando o “contexto” em que foi realizada a nossa pesquisa, a
“preocupação” com os concorrentes (Intensidade Competitiva) tem sido mais efetiva do
que a “preocupação” com os clientes (Turbulência de Mercado). Pensando no tipo
de empresas, e no tipo de mercado (pequeno varejo em pequenas cidades do interior) de que estamos tratando,
não é difícil “imaginar” um cenário em que há uma
fragmentação grande desde o ponto de vista da oferta – com muitas pequenas empresas
lutando por sua fatia do bolo, que não é dos maiores -, e um conjunto de compradores com poder
de barganha relativamente pequeno – falta de opção e dependência de fornecedores
“locais”. Assim, mais do que as necessidades dos clientes, são as ofertas dos concorrentes
que “balizam o jogo competitivo”. O bom desempenho seria assim, não necessariamente uma
“recompensa” por “atender aos clientes”, mas por “fazer frente aos
concorrentes”. O foco, nesse caso, se desloca desde aquilo que os clientes “querem, desejam,
necessitam”, e se volta para aquilo que os concorrentes “estão fazendo”. Esse,
aliás, é um cenário que normalmente leva as empresas a um tipo de concorrência
“predatória” que “pressiona as empresas e reduz seus níveis de
desempenho” - a qual os pequenos empresários envolvidos na pesquisa não se cansam de fazer
referência. Se por um lado, isso poderia beneficiar os clientes, é preciso ponderar que esses
benefícios se restringem, quando muito, ao preço, deixando de fora aspectos outros (relativos
aos diversos tipos de diferenciação – produto, relacionamento, etc) que precisariam fazer
parte do “pacote de marketing” das empresas. Recuperando as observações de Slater e
Narver (1994) e Greenley (1995b), relativas aos custos de se orientar para os clientes –
Turbulência de Mercado -, orientar-se para os concorrentes tende a ser mais fácil.
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