1. Introdução
Uma maior competitividade é, atualmente, um dos principais objetivos das mais variadas
organizações. Assim, segundo Martins e Laugeni (2005), estas se vêem obrigadas a dar
atenção à voz do mercado, identificando e atendendo, assim, às necessidades dos
mais variados consumidores.
Por outro lado, pode-se afirmar também que uma eficiente administração da
produção pode ser a tônica para uma vantagem competitiva por parte das empresas, sendo
possível, desta forma, adaptar seus produtos de acordo com a demanda existente no mercado.
No segmento esportivo, isto não difere. Apesar de trabalhar com um produto extremamente inconstante
como o esporte, as organizações inseridas nesta indústria devem adotar processos de
produção eficientes como desenvolvidos em qualquer outro ramo de atividade. Segundo Molina
(2007, p. 18): “O esporte é um produto não tradicional, porém está
processado para ser consumido como uma bebida ou carro”. De igual forma, Año Sanz (2003, p. 11)
afirma que: “As teorias sobre organização e gestão estão hoje presentes em
todas as facetas da vida e, como não, no mundo do esporte”.
Assim, se levado em conta Krajewski et. al. (2009), os quais afirmam que uma organização
é tão eficaz quanto forem os seus processos, é permitido afirmar que um produto esportivo
apenas alcançará os resultados desejados se houver uma administração competente de
todas suas etapas de produção. Neste sentido, de acordo com Rein et. al. (2008, p. 9):
“É preciso para com sugestões, idéias ou ações isoladas e partir para
o planejamento formal, trabalhando as marcas esportivas com visão profissional”.
Entretanto, percebe-se que, historicamente, esta situação não compõe a realidade
da indústria esportiva, onde, muitas vezes, impera o amadorismo e a não
preocupação com as tendências e necessidades do mercado. Neste sentido, Testa em Pignatti
(2009, p. 13) afirma que: “No Brasil, a percepção do mercado esportivo ainda é
muito amadora”. Assim, a profissionalização na produção esportiva torna-se
imprescindível, revisando, principalmente, seus elementos básicos e processos de decisão,
de forma mais estruturada. (Morgan, Summers, 2008).
Com base no acima exposto, o presente artigo tem como objetivo analisar a importância de uma eficiente
administração na produção do produto esporte, com o propósito de contribuir
para o desenvolvimento das partes inseridas no processo. Para isto, através de uma revisão de
literatura, primeiramente será verificado a estratégia de operações, bem como os
objetivos e diretrizes para uma eficiente produção de um produto e/ou serviço a ser
inserido no mercado. A seguir, estudar-se-á a realidade que envolve a indústria esportiva, bem
como do esporte como produto. De igual forma, verificar-se-á, as características da atual
administração desenvolvida na indústria esportiva. Por fim, propor-se-á um modelo
de administração eficaz da produção esportiva, com base nos objetivos e diretrizes
definidos por Martins e Laugeni (2005), passível de ser incorporado pelas organizações
que atuam no setor.
Com o Brasil sendo sede, entre os anos de 2011 e 2016, dos maiores eventos esportivos em nível
mundial, como os Jogos Mundiais Militares, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo FIFA e os
Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos, é visível o despertar e interesse pelas
potencialidades que o esporte apresenta. Saber administrar sua produção, no entanto, é um
pré-requisito fundamental para o sucesso de todas as partes envolvidas no processo.
2. Administração da produção: pressupostos
para uma vantagem competitiva
Pode-se afirmar que a busca por uma maior competitividade permeiam as decisões estratégias e
operacionais das empresas. Através desta, é possível superar concorrentes, conquistando
fatias significativas de mercado. Corrêa et. al. (2008, p. 6) reafirmam a idéia mencionando que:
“Ser competitivo é ser capaz de superar a concorrência naqueles aspectos de desempenho que
os nichos de mercado visados mais valorizam”.
Entretanto, para atingir seus objetivos, é necessário uma postura voltada às
necessidades e expectativas dos público-alvo, procurando adequar a oferta a demanda existente (ou
latente). De acordo com Martins e Laugeni (2005, p. 69): “Seu sucesso estará relacionado à
sua capacidade de satisfazer e até mesmo suplantar as expectativas de seus clientes”.
Assim, estratégias mercadológicas (pesquisas de mercado, estabelecimento de preços,
distribuição, estratégias promocionais, entre outros), capacitação humana e
controle financeiro tornam-se cada vez mais fundamentais.
Além destas, é imprescindível ater-se a função produção,
cuja responsabilidade recai na adaptação e, conseqüente materialização, em
produtos e/ou serviços, das necessidades dos clientes da empresa. Gaither e Fraizer (2002) afirmam que
uma melhor administração das operações, e especificamente da
produção de uma empresa, além de agregar valor, melhora sua competitividade e
lucratividade a longo prazo.
Neste sentido, Slack et. al. (2007, p. 29) reforçam que uma função
produção: “Deve usar eficientemente seus recursos e produzir bens e serviços de
maneira que satisfaça a seus consumidores”. Além disso, segundo os autores, criatividade,
inovação e vigor devem ser implantados para introduzir formas novas e melhoradas de produzir
bens e serviços, propiciando meios de sobrevivência, bem como alcançar uma vantagem
competitiva.
De igual forma, Martins e Laugeni (2005) afirmam que para uma empresa obter um diferencial na
fabricação ou na prestação de um serviço, é necessário o
estabelecimento de uma estratégia de manufatura ou de operações, definindo objetivos e
diretrizes quanto a:
- custos: a redução de custos quando da produção de um bem ou
serviço é uma meta permanente de toda a organização. Com custos de
produção menores, é possível repassar esta vantagem para o consumidor;
- qualidade: a ênfase na área da qualidade dos produtos e serviços tem
como objetivo, além atender às necessidades dos clientes, reduzir custos de
produção;
- prazos de entrega: quanto menor o prazo de entrega de um produto ou serviço, maior
será a satisfação do consumidor. De igual forma, em termos logísticos, com o
desenvolvimento de estratégias eficientes, os custos reduzirão significativamente (menor tempo
de permanência na empresa);
- flexibilidade: a empresa pode adaptar-se rapidamente às mudanças nas
tendências de mercado. Agilidade e rapidez para adequar-se perante o mercado pode constituir-se em uma
vantagem competitiva;
- inovação: é a capacidade da empresa se antecipar às
necessidades dos consumidores;
- produtividade: deve ser considerado por todas as dimensões da empresa. As
resoluções na organização devem levar em conta a relação
custo/benefício favorável;
- tecnologia: a escolha da tecnologia deve ser feita sabiamente, considerando-se os
processos e os produtos, procurando um maior valor agregado à oferta.
Por fim, Corrêa et. al. (2008) afirmam serem, estes, os aspectos de desempenho de um sistema produtivo
que podem ser valorizados pelos nichos de mercado, estando dentro do escopo de atuação da
função das operações produtivas da organização.
3. A indústria esportiva no Brasil e no mundo
Apontado por Año Sanz (2003), como o maior acontecimento social do final do século XX, o
esporte desperta o interesse de grande parte da população mundial, bem como espaços
significativos nos editoriais e nos horários nobres dos meios de comunicação.
De igual forma, os dados financeiros que atualmente compõe o esporte no Brasil e no mundo
impressionam. Para se ter uma idéia, basta analisar o ambiente no qual o mesmo está inserido,
isto é, a indústria esportiva.
De acordo com Morgan e Summers (2008, p. 48): “O montante gerado pelo esporte no mundo todo tornou-se
tão exorbitante que agora o esporte já é considerado realmente um negócio. Ele
figura na lista dos ativos nacionais”.
Segundo dados da Revista Marketing, de janeiro de 2006, a Fundação Getúlio
Vargas apontou que a indústria esportiva é a que mais cresce no mundo. Nos Estados Unidos, o
negócio esportivo representa US$ 50 bilhões, já tendo a denominação de
Produto Nacional Bruto do Esporte (PNBE). No Brasil, de acordo com a revista, o setor ocupa a quarta
posição, movimentando cerca de R$ 30 bilhões por ano. Por outro lado, segundo dados
fornecidos por Gurgel (2010), o PIB do esporte brasileiro já representa, aproximadamente, 2% do PIB
nacional.
Neste sentido, Melo Neto e Feitosa em Atlas do Esporte (2005) apontaram que o volume de negócios total
movimentado pela economia do esporte pode chegar, nos próximos anos, a US$ 400 bilhões anuais,
sendo o país, alçado, assim, ao 5º maior mercado esportivo do mundo.
Todavia, é possível afirmar que, nesta próxima década, denominada por Gurgel
(2010) como “de ouro” para a economia esportiva nacional, estes valores assumirão patamares
extremamente significativos. Isto deve-se ao fato do país ser sede dos principais eventos esportivos em
nível mundial, como os Jogos Mundiais Militares, a Copa das Confederações, a Copa do
Mundo FIFA e os Jogos Olímpicos e Para-Olímpicos. Na verdade, além do crescimento do
investimento no esporte e da indústria esportiva como um todo, haverá um incremento em grande
parte dos setores econômicos da sociedade. Para se ter uma idéia, segundo o relatório da
Ernst & Young, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (2010), apenas a Copa do Mundo 2014
terá um efeito multiplicador capaz de quintuplicar os investimentos diretos realizados no país
para viabilizar o evento, injetando, no total, R$ 142,39 bilhões na economia brasileira, tendo um
impacto direto sobre o PIB na ordem de R$ 64,5 bilhões.
Pitts e Stotlar (2002) demonstram, na Figura 1, a macro-estrutura da Indústria do Esporte, isto
é, os segmentos, bem como os fatores que implicarão em inúmeras
ramificações comerciais.
Figura 1- Macro-estrutura da Indústria do Esporte.

Fonte: Adaptado de Pitts e Stotlar (2002).
Especificamente para este estudo, analisar-se-á o segmento de performance esportiva, isto
é, o produto esporte (modalidades esportivas) para participação (prática) e/ou
assistência por parte do consumidor.
Por fim, apesar de constituir-se em um dos principais produtos existente no mercado em nível mundial,
o tipo de administração desenvolvida, salvo exceções, apresenta-se como um grande
obstáculo ao seu maior desenvolvimento.
4. Atual administração do produto esporte
É permitido afirmar que, historicamente, o amadorismo vem imperando na gestão da
produção do esporte em seus mais variados níveis (da participação à
performance). De acordo com Mullin et. al. (2004, p. 13): “Embora os empreendedores tenham
estado vendendo o esporte por séculos, os sistemas racionais para comercializá-lo são
relativamente novos”. Assim, aspectos como corrupção, apropriação
ilícita, desvios de verbas, tráfico de influências, irresponsabilidade fiscal e
administrativa, não controle orçamentário, falta de planejamento, etc, muitas vezes fazem
parte da realidade deste segmento.
Na verdade, salvo algumas exceções e experiências internacionais bem sucedidas (NBA, NFL,
Champions League, Premier League, entre outros), pode-se afirmar que esta é uma
realidade que assombra grande parte dos países e mercados no mundo. Para se ter uma idéia disto,
Molina (2007), a partir de uma pesquisa junto a mais de 700 diretores de clubes profissionais na
América Latina (2005-2006), detectou características comuns nas estruturas das
organizações ligadas ao esporte. São elas:
- Inexistência de objetivos estratégicos;
- Não está definida a missão organizacional;
- Não se conhecem os poderes essenciais;
- Carência de um plano de negócios esportivos;
- Não está definido o posicionamento das marcas esportivas;
- Confunde-se atitude com talento e capacidade;
- Faltam controles na gestão de todos os processos de comercialização;
- Existe um desequilíbrio das funções de marketing com relação a
outras áreas internas.
De acordo com Aidar em Valente e Serafim (2006, p. 134), este amadorismo deve-se à postura de gerir o
negócio esportivo: “... a grande maioria dos clubes é administrado com a paixão e
não com a razão orientada para a eficiência econômica”.
Para Valente e Serafim (2006) o baixo profissionalismo na gestão é apontado como principal
fator da crise financeira e estrutural dos clubes, que, se resolvida, poderia melhorar significativamente o
desempenho destes fora das competições.
Este tipo de situação inibe, também, a entrada de parceiros, os quais, muitas vezes,
acabam não encontrando um campo seguro para seus investimentos. De acordo com Kuper e Szymansky (2010,
p. 101), quando os empresários examinam o produto esporte: “... ficam chocados como os clubes
são poucos empresariais”.
Neste sentido, levando-se em conta a carência de modelos de gestão aplicados em grandes
segmentos da indústria esportiva, é permitido mencionar que são necessárias
ações que vão muito além da profissionalização. Junior em Areias
(2007, p. 12) confirma a idéia: “É preciso mais do que profissionalizar, faz-se
necessário uma radical mudança na governança das entidades esportivas”.
Por fim, apesar do esporte, e da indústria no qual está inserido, ainda se encontrar muito
aquém de seus potenciais, com o desenvolvimento de uma postura profissional e uma
administração eficiente da produção esportiva, este setor poderá convencer,
cada vez mais, o mercado que se constitui em um segmento extremamente atrativo para seus investimentos.
5. Administração eficaz da produção esportiva:
uma proposta
Em busca de uma maior competitividade no mercado, a produção de um produto de
performance esportiva deve-se tratar, segundo Ferrand et. al. (2007) de um processo contínuo,
levando a cabo atividades e programas cujo objetivo seja criar ou aumentar o valor econômico e social do
conjunto a um custo mais reduzido.
Desta forma, pode-se trabalhar nas seguintes operações para alcançar um desempenho de
qualidade nos bens e serviços esportivos:
- custos: deve-se ter em mente que o produto esportivo trata-se de uma mercadoria como
qualquer outra inserida no mercado. Assim, seus custos de produção devem possibilitar, ao final
do processo, um ganho financeiro para as organizações esportivas e seus parceiros. A
produção do esporte, neste sentido, deve ser administrada ao menor custo possível para
que o consumidor final e/ou parceiros comerciais possam encontrar valor em termos de custo/benefício.
De acordo com Mullin et. al. (2004), existem diversas abordagens-padrão de determinação
do preço ramo esportivo, dentro de graus variáveis. Para Morgan e Summers (2008, p. 258), o
valor ou benefício percebido do produto esportivo: “... é normalmente uma
combinação de elementos tangíveis e intangíveis que são interpretados de
forma diferente pelos diferentes tipos de consumidores do esporte”.
Para isto, segundo Mullin et. al. (2004), em grande parte dos casos, deve-se levar em conta para definir o
preço dos produtos esportivos os custos de produção; condições de mercado
(oferta e demanda); preços dos concorrentes (diretos e indiretos); objetivos organizacionais e
freqüência dos eventos. De igual forma, de acordo com os autores, um preço mais alto, como
decorrência de um custo total mais alto, não caracterizar-se-á como uma desvantagem. Isto
dependerá, na verdade, da qualidade oferecida e percebida.
Neste sentido, Ferrand et. al. (2007) afirmam que o equilíbrio entre o preço percebido,
qualidade percebida e, principalmente custo da qualidade, é
fundamental.
- qualidade: a qualidade do produto esportivo deve ser levada, cada vez mais, em
consideração. De acordo com Pitts e Stotlar (2002, p. 160): “Administração
do produto e composição do produto são elementos críticos do planejamento
empresarial e da estratégia de marketing de uma empresa esportiva”. Assim, o
espetáculo deve despertar o interesse do público-alvo e de seus parceiros (meios de
comunicação, fornecedores, patrocinadores, entre outros), com jogos e protagonistas de qualidade
(atletas, comissão técnica, etc), atendimento eficiente antes, durante e pós-evento,
entre outros aspectos.
Neste sentido, o objetivo fundamental da gestão esportiva em todos os níveis é a
satisfação do cliente, através de um padrão significativo de qualidade (Año
Sanz, 2003).
De igual forma, segundo Ferrand et. al. (2007), é importante ciência que a qualidade do
serviço oferecido aos mais diversos públicos-alvo, irá depender, essencialmente, de uma
eficiente gestão do processo, levando em conta a organização e correta
execução das diferentes tarefas.
Como conseqüência, a qualidade de um produto esportivo irá refletir na compra do consumidor
e elasticidade da demanda (Pitts, Stotlar, 2002).
- prazos de entrega: a distribuição do produto esportivo deve ser trabalhada
de tal modo a disponibilizar um espetáculo eficiente junto ao público-alvo e seus parceiros.
Desta forma, aspectos como fácil acesso, local agradável para prática/assistência
esportiva, possibilidade de cobertura dos meios de comunicação, etc, devem ser considerados. De
acordo com Mullin et. al. (2004, p. 136): “Ao determinar os preços dos esportes, outro fator
importante a ser considerado é o tempo de entrega requerido para a compra”. Segundo os autores,
para uma distribuição criativa no esporte, algumas questões devem ser respondidas como:
quem são os consumidores de meu produto e quais as suas necessidades? Onde eles estão
localizados? Quais são os meus produtos e suas extensões? Que meios - especialmente utilizando
tecnologias novas – estão disponíveis para a distribuição?
- flexibilidade para mudar o que é produzido: a indústria esportiva deve
adaptar seus produtos às necessidades dos públicos-alvo (praticantes, espectadores, meios de
comunicação, patrocinadores, fornecedores, entre outros). Isto significa rever, se for o caso,
as próprias características dos produtos esportivos. Segundo Rein et. al. (2008, p. 137):
“são muitos os produtos esportivos que não conseguem manter seu status no mundo
competitivo de hoje e, como resultado disso, precisam mudar para adaptar-se às novas
condições”.
Assim, torna-se imprescindível modificar regulamentos, formatos, duração, com o
propósito de reforçar o interesse e fazer com que o esporte seja, ainda, mais atrativo perante o
público-alvo (Ferrand et. al. 2007).
Segundo Rein et. al. (2008), as transformações das modalidades esportivas podem ser
classificadas em três níveis potenciais: mínima (mudanças
mínimas nas regras, etc), moderada (grandes mudanças nas regras) e extensiva
(transformações radicais e, até mesmo, redefinição do produto esportivo).
Klein em Cobra (2008) e Molina (2009) descrevem as inserções do tempo morto na National
Basketball Association (NBA), o tiebrek no tênis e o rally point no voleibol
como adaptações às necessidades dos parceiros (redução do tempo para
atender os horários dos meios de comunicação, dos espectadores, desgaste dos jogadores,
entre outros).
- inovação: além da flexibilização, uma mudança
radical no produto esportivo muitas vezes torna-se necessário, aproximando-se da
transformação extensiva citada por Rein et. al. (2008). No entanto, na ânsia de um novo
lançamento, muitas vezes as organizações esportivas ignoram o olhar para as necessidades
e desejos do público-alvo. Morgan e Summers (2008) citam o caso do XLF (Extremme Football
League), o qual tentou alair a modalidade futebol à luta livre. Após 3 anos de
investimento, e não conquistando uma identidade própria, a modalidade amargou um prejuízo
de A$ 35 milhões.
Assim, estas inovações e/ou mudanças extremas devem passar por uma análise
criteriosa da demanda existente no mercado.
- produtividade: a produção do produto esportivo deve constituir-se de uma
ação estratégia, sendo considerada por todas as dimensões da
organização esportiva. Assim, os produtos esportivos devem ser produzidos, além das
necessidades do mercado, dentro das possibilidades e recursos das organização esportivas.
Na indústria esportiva, é comum as organizações não entregarem o que
prometeram. Cardia (2004, p. 65) reforça a idéia afirmando que no segmento esportivo: “...
o oferecido, na maioria das vezes, não pode ser entregue”. Assim, para Ferrand et. al. (2007, p.
13): “O titular dos direitos deve se assegurar previamente que poderá prestar os serviços
prometidos”.
Para que isto ocorra, segundo os mesmos autores é imprescindível levar em conta a
organização interna e os meios disponíveis, seja na formação dos recursos
humanos, nos equipamentos, no sistema de informação equipamentos, recursos econômicos,
entre outros.
- tecnologia: a utilização de tecnologia na produção dos
produtos esportivos poderá proporcionar uma maior satisfação ao mercado. Segundo Mullin
et. al. (2004, p. 99): “As inovações nos equipamentos pressionaram continuamente as
fronteiras do desempenho esportivo”. Desta forma, a adoção e/ou
incorporações de novas tecnologias a fim de melhorar o produto deve ser uma constante da parte
das organizações esportivas (Rein et. al. 2008).
Neste sentido, de acordo com Klein em Cobra (2008), os recursos tecnológicos cada vez mais
sofisticados também permitiram às redes de televisão o domínio do tempo real e a
sua transformação em tempo virtual, colocando o torcedor como árbitro supremo, com
poderes para fiscalizar e julgar os árbitros reais. De igual forma, Mullin et. al. (2004) apontam as
novas tecnologias utilizadas na evolução do material utilizado no salto com vara (do bambu,
passando para o metal e chegando na fibra de vidro), na Fórmula 1º, entre outras, como exemplos de
modalidades beneficiadas pela incorporação de novas tecnologias.
6. Considerações finais
Atualmente, pode-se afirmar que o esporte caracteriza-se como um dos principais fenômenos da sociedade
moderna. Praticantes, espectadores, meios de comunicação, patrocinadores, fornecedores, entre
outros, valem-se, desta prática, como objeto de lazer, entretenimento, além de uma grande
oportunidade de geração de negócios.
No entanto, mesmo reconhecendo seu grande potencial de consumo, é imprescindível uma
organização eficiente, bem como a correta execução das diferentes tarefas,
culminando, em última instância, em uma adaptação de seus produtos e/ou
serviços às necessidades dos mais variados públicos-alvo. Neste sentido, alguns
procedimentos podem ser desenvolvidos.
Em primeiro lugar, o planejamento correto de seus custos de produção, considerando a realidade
do mercado, concorrência, bem como os objetivos organizacionais. Neste aspecto, pode-se afirmar que o
custo final do produto deve ser diretamente proporcional a segunda variável considerada, isto é,
a qualidade do produto esportivo. Desta forma, a relação custo/benefício pode
apresentar-se como uma grande vantagem competitiva.
De igual forma, é imprescindível que o objeto esportivo esteja disponível ao alcance de
seus mais variados públicos-alvo. Esta distribuição, respeitando ao mesmo tempo os prazos
de entrega, deve dar-se tanto no momento da prática quanto da assistência (in loco ou
através dos meios de comunicação). Neste contexto, a tecnologia assume um papel
imprescindível, seja para uma eficiente das transmissões, como para o oferecimento de um
espetáculo esportivo de maior qualidade.
No que diz respeito à flexibilidade e inovação em um processo de produção
esportiva, pode-se afirmar que estas constituem-se em variáveis importantes a serem consideradas. Ou
seja, ao ponto que o mercado consumidor sugerir e/ou reivindicar novos formatos (regras, regulamentos,
tabelas, entre outros), o produtor esportivo deve ter a possibilidade de desenvolver esta
adequação.
No entanto, de nada adianta oferecer o produto certo (inovador e/ou flexível, com tecnologia
adequada), respeitando prazos de entrega, a um custo cujo repasse ao mercado esteja dentro das perspectivas
por ele esperadas, se o responsável pelo referido produto não tenha a possibilidade de
produzi-lo como foi acordado e/ou planejado inicialmente. Desta forma, a preocupação com uma
eficiente produtividade (entregar o que foi estabelecido aos públicos-alvo) assume uma
importância significativa.
Por fim, é possível afirmar que uma administração profissional da
produção do esporte torna-se, atualmente, imprescindível no mercado, sob risco de perdas
significativas dentro da indústria do entretenimento
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