1. Introdução
As mudanças ocorridas a partir da segunda metade do século XX impactaram a economia e,
consequentemente, os formatos organizacionais. Estar inseridas em um cenário globalizado exige das
organizações uma nova postura para obter ou manter sua competitividade. Assim, para um melhor
desempenho competitivo, as empresas possuem alternativas como: centrar-se na inovação, na
facilidade de se adaptar a mudanças e na capacidade de se aliar a parceiros estratégicos.
As micro e pequenas empresas (MPE’s) representam grande parcela dos empreendimentos brasileiros e
movimentam significativamente a economia nacional. No entanto, sabe-se das dificuldades enfrentadas pelas
mesmas para se manterem no mercado e crescerem. Neste sentido, os programas de incubação de
empresas são instrumentos de apoio fundamentais a MPE’s, que assim, passam a contar com a
participação do governo e das universidades, facilitando o processo de inovação
nas mesmas, principalmente no que tange à pesquisa e desenvolvimento tecnológicos.
As incubadoras de empresas têm o papel de auxiliar a ligação das empresas com o mercado,
clientes e parceiros estratégicos. Ponto de destaque no processo de incubação é a
sinergia resultante do uso compartilhado da planta industrial, instalações, pessoal,
equipamentos e ferramentas, transferência de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e tecnologia,
garantindo maior consolidação e crescimento das incubadas (ARAGÃO, 2005; STUDDARD, 2006).
Esta sinergia e as oportunidades de negócios geradas ressaltam, para a nova economia, a
importância dos relacionamentos para as empresas incubadas.
No contexto das MPE’s, a rede de relacionamentos interorganizacionais é um dos pontos principais
para a comunicação com o mercado, para a obtenção de novos clientes, fornecedores,
parceiros tecnológicos, bancos e órgãos financiadores. A rede de relações
(networking) engloba o entendimento da criação, manutenção e
desenvolvimento de relações interpessoais dentro e fora da organização, com o
intuito de assegurar e ampliar os ganhos em determinado negócio (GALLON et. al., 2009).
Percebendo a importância das redes de relacionamentos para as incubadas surgem várias
indagações, tais como: qual o papel da rede de relacionamentos no processo de
incubação? Como é a rede de relacionamento dos empreendedores incubados? A rede de
relacionamentos influenciou o processo de decisão de incubar? Por meio desta rede foi possível
vislumbrar oportunidades de negócios inovadores? Assim, este trabalho tem como objetivo entender o
papel da rede de relacionamentos de uma empresa de negócios inovadores de uma incubadora de base
tecnológica. Para isto, têm-se como objetivos específicos: (a) verificar se por meio da
rede de relacionamentos da incubada foi possível vislumbrar oportunidades de negócios
inovadores; (b) identificar quais foram os fatores intervenientes no processo de decisão de incubar de
tal empresa e (c) mapear a rede de relacionamentos desta incubada.
Ademais, ao longo deste trabalho, desenvolver-se-á uma sessão de referencial teórico
envolvendo: (i) empreendedorismo e inovação, (ii) incubadora de empresas e (iii) redes de
relacionamentos e capital social. Em seguida, será descrita a metodologia da pesquisa e a
apreciação dos resultados, por meio de análise de conteúdo das entrevistas e do
mapeamento da rede de relacionamentos da incubada. Por fim, serão apresentadas as
considerações finais e sugestões para pesquisas futuras.
2. Referencial Teórico
2.1 Empreendedorismo e inovação
O empreendedorismo é um fenômeno social que tem despertado interesse nos estudos recentes da
administração contemporânea (SHANE, 2012). A importância do empreendedorismo
começou a se propagar a partir dos estudos de Richard Cantillon (1680-1734) e Jean-Baptiste Say
(1767-1832), passando por Schumpeter (1883-1950) e sua visão sobre a importância da
inovação.
O termo empreendedorismo ganhou diferentes conotações e, atualmente, há diversas
concepções existentes sobre o empreendedor que demonstram o caráter rico e multifacetado
desse agente (VALE et. al., 2008). Para Dolabela (1999), o empreendedor é o indivíduo que gera
riquezas na transformação de conhecimentos em produtos e serviços, na
geração do próprio conhecimento e na inovação em áreas de
organização, produção, marketing e outros (DOLABELA, 1999).
Vale et. al. (2008) apresentam duas abordagens independentes acerca do empreendedor: (i) agente articulador
de redes – pois possui a capacidade de unir e conectar diferentes atores e recursos, agregando valor
à atividade produtiva e (ii) agente de inovação, corroborando as ideias schumpeterianas.
A visão do empreendedor como um agente de intermediação e de criação de
redes é elaborada por Leibenstein (1968) e aperfeiçoada por Granovetter (1973) e Burt (1992).
Nesta perspectiva, segundo Leibenstein (1968), o empreendedor é um ator capaz de atravessar vazios e
brechas de mercado e, dessa forma, desfrutar de vantagens destes. De forma complementar, Granovetter (1973) o
apresenta como o agente capaz de estabelecer pontos e de gerar conexões por meio de laços
fracos, contatos e relacionamentos eventuais e, também de laços fortes, formando redes coesas.
Burt (1992), por sua vez, afirma que o empreendedor é capaz de preencher lacunas que se formam entre
dois atores situados em redes – os “buracos estruturais” – e visualizá-los como
oportunidades de novos negócios. Assim, o empreendedorismo compreende a habilidade de colocar juntas
peças que de outra maneira estariam desconectadas (VALE et. al., 2008).
Já a perspectiva de Schumpeter (1982) associa empreendedorismo e inovação como forma de
desenvolvimento econômico e aproveitamento de oportunidades em negócios (DOLABELA, 1999).
Destarte, o comportamento empreendedor, constitui fator essencial para as transformações na
esfera econômica e seu desenvolvimento em longo prazo (CÁRIO, PEREIRA, 2002).
A inovação é conceituada por Dosi (1988) como pesquisa, descoberta,
experimentação, desenvolvimento, imitação e adoção de novos
produtos, de novos processos de produção e novas formas organizacionais. Conforme o Manual de
Oslo (OECD et.al., 2005, p.55) “uma inovação é a implementação de
um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo
método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios,
na organização do local de trabalho ou nas relações externas.”
Desse modo, a economia passa a valorizar o empreendedorismo e a inovação como formas essenciais
de desenvolvimento econômico e, assim, como instrumentos de apoio, surgem os programas de
incubação de empresas, que concentram esforços para criar um ambiente que conduza
à formação de empresas de base tecnológica (PALETTA, 2008).
2.2. Incubadoras de empresas
Para que o empreendedorismo possa surgir é de fundamental importância a existência de um
ambiente que incentive seu desenvolvimento. A capacidade de gerar conhecimento e transformá-lo em
riqueza e desenvolvimento social depende da ação de agentes institucionais responsáveis
por gerá-lo e aplicá-lo, quais sejam: governo, universidades e empresas (PALETTA, 2008). Dentre
os mecanismos de apoio à criação de MPE’s destaca-se a atuação das
incubadoras de empresas que, além de incentivarem o desenvolvimento de negócios, visam capacitar
os empreendedores para a gestão do empreendimento.
Com o intuito de proporcionar assistência na fase inicial de incubação, as incubadoras de
empresas são um mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de MPE’s, por
meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais,
facilitando o processo de inovação tecnológico nas mesmas (MCT, 2000).
De forma complementar, para a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos
Inovadores (ANPROTEC) e para o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), as
incubadoras de empresas podem ser definidas como agentes nucleares no processo de geração e
consolidação de MPE’s e também agentes facilitadores do processo de empresariamento
e inovação tecnológica (ANPROTEC, SEBRAE, 2002).
As incubadoras podem ser classificadas como de base tecnológica, setor tradicional e mistas (ANPROTEC,
2003). De acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), incubadora de empresas de base
tecnológica, objeto de estudo deste artigo, é aquela que abriga empresas cujos produtos,
processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas nos quais a
tecnologia representa alto valor agregado (MCT, 2000).
Quanto às modalidades de incubação, ANPROTEC e SEBRAE (2002) as definem como:
pré-incubação, empresas residentes, não residentes e graduadas. As empresas
residentes, foco deste estudo, são definidas como aquelas constituídas ou em fase de
constituição, instaladas na incubadora, que já tenham dominado a tecnologia e o processo
de produção (ANPROTEC, 2003).
É notório o crescimento das incubadoras no Brasil, desde o final dos anos 1990, mostrando-se um
fenômeno relevante para a criação de emprego e renda. Atualmente, o Brasil ocupa
posição de destaque na América Latina, em relação ao número de
incubadoras, empresas incubadas e taxa de crescimento (MIZIARA, CARVALHO, 2008).
Assim, há diversos estudos demonstrando a relevância das incubadoras para a sustentabilidade do
desenvolvimento econômico (ARAGÃO, 2005; BAÊTA et. al., 2006; MIZIARA, CARVALHO, 2008;
PALETTA, 2008; GALLON et. al., 2009; BARBOSA, HOFFMANN, 2011; BORGES, FILION, 2011). Desse modo, acredita-se
que as empresas incubadas tendem a apresentar maiores chances de sobrevivência, quando inseridas no
mercado, quando comparadas àquelas que não passaram por esse processo.
A participação do governo brasileiro é relevante, promovendo incentivos à
inovação tecnológica, por meio de leis de incentivos e programas de
subvenção econômica e financiamentos, por meio de diversas instituições. No
entanto, no processo de incubação de empresas os órgãos de apoio de maior
representatividade são as universidades. Estas apóiam a promoção do
desenvolvimento científico, tecnológico e social, através da transferência de
conhecimento e tecnologia da universidade para o setor produtivo, gerindo as incubadoras de empresas,
permitindo a integração do setor privado, do setor público e das universidades na forma
de empreendimentos.
Entende-se que as incubadoras de empresas atuam como importante elo entre as empresas incubadas e o mercado,
os clientes e os parceiros estratégicos. A sinergia gerada nas incubadoras e as oportunidades de
negócios ressaltam, para a nova economia, a importância dos relacionamentos intra e inter
empresas. Estas relações estabelecidas que integram a rede de contatos são consideradas
importantes, neste contexto, para o desempenho das incubadas e constituem o foco deste estudo.
2.3 Redes de relacionamentos e o capital social
Apesar das discussões acerca de redes estarem ganhando cada vez mais destaque nos estudos
organizacionais, esse termo não é novo e apresenta variados significados e
aplicações nos diversos contextos (BALESTRIN et. al., 2005). Atualmente, entender como as redes
de relacionamentos afetam as tomadas de decisões pelos agentes econômicos tornou-se ponto central
para a vantagem competitiva. Essas ações cooperativas podem ajudar as firmas a adquirirem novas
competências, conservar os recursos, dividir os riscos, fazer com que se movam mais rapidamente para
novos mercados, além de criar opções atrativas para futuros investimentos. Entretanto,
muitas alianças falham no alcance de suas expectativas porque conferem pouca atenção
às relações que unem as organizações parceiras.
Segundo Amato Neto (2001, p. 46), o conceito de rede se refere “à noção de um
conjunto ou uma série de células interconectadas por relações bem
definidas”. Para Brito (2002, p. 347), redes de empresas são “como arranjos
interorganizacionais baseados em vínculos sistemáticos entre empresas formalmente
independentes”. Já Grandori e Soda (1995, p. 1) conceituam o termo redes como
“conjunto de nós e as ligações para conectá-los”.
Fazendo um estudo detalhado acerca das ligações entre as organizações,
Granovetter (1973) afirma que uma organização leva a outra a agir em rede e que quanto maior a
conexão entre as firmas, mais similares são as organizações. Ademais, nunca
há uma ausência de ligação entre firmas, há sempre uma
ligação, seja ela forte ou fraca. E, quanto mais contatos houver, mais informações
valiosas fluirão na rede. Dentre os recursos trocados nas redes, estão inclusos dados,
informações, produtos, serviços, entre outros.
Grandori e Soda (1995) apresentam três tipos de redes: sociais, burocráticas e as
proprietárias. As redes sociais são aquelas que prescindem algum tipo de contrato formal e nas
quais há troca de “bens sociais”, como prestígio e status. As redes
burocráticas caracterizam-se pela formalização, acordos contratuais para reger as
relações, no entanto, não excluem a existência de redes sociais dentro delas. As
redes proprietárias são formalizadas e se caracterizam por acordos relativos ao direito de
propriedade entre os acionistas. (GRANDORI, SODA, 1995). Independente do tipo ou forma de rede, é
necessário haver confiança nas relações, para que haja trocas efetivas e
consequente sucesso das redes. No entanto, muitas vezes, o dilema não é confiar ou não,
mas em quem confiar (BURT, 1992).
Outro ponto nevrálgico para o sucesso das redes estratégicas é a
comunicação, haja vista sua capacidade de produzir interpretação compartilhada das
metas e um acordo comum de normas, de papéis e das relações sociais. Em qualquer rede, os
fluxos de comunicação e informação são cruciais para resolver
diferenças, tomar decisões e também alcançar o conhecimento compartilhado das
metas da rede. Assim, uma rede envolve relações pessoais e contratos informais, que muitas vezes
substituem os formais (HUTT et. al., 2000).
Com relação às trocas
entre os agentes, há três tipos de capital na arena competitiva: o financeiro, o humano e o
social. O financeiro é o dinheiro à vista, reservas no banco e investimentos. O humano refere-se
a habilidades naturais do funcionário combinadas à educação formal,
experiência no trabalho e habilidade para realizar determinadas tarefas. O capital social é
aquele que, através de amigos, colegas e contatos em geral, confere ao agente a oportunidade de usar o
seu capital financeiro e humano e transformá-lo em lucro. Além disso, o capital social
não é possuído individualmente, como os outros capitais, mas é compartilhado entre
as partes (BURT, 1992).
Destarte, considerando que rede social
constitui um conjunto de atores os quais podem ser individuais ou unidades agregadas, como
organizações, comunidades ou sociedades; se pode afirmar que a possibilidade e a capacidade de
trocas de capital social é maior se comparada a agentes que não pertencem a redes sociais. Tal
ideia é corroborada por Anand et. al. (2002) que ressaltam a necessidade de contar com redes de
relacionamento para tirar o máximo proveito do capital social. Além disso, o compartilhamento
deste capital é responsável por transformações organizacionais, haja vista a
incorporação de conhecimentos externos aos internos, impactando de forma a gerar
inovações para a empresa ou evidenciando suas possíveis fragilidades.
Percebe-se a importância, para o desenvolvimento da empresa, do compartilhamento do capital social que
passa a ser considerado vantagem competitiva. Logo, é indispensável às empresas o
estabelecimento de laços entre si, sejam eles fortes ou fracos, a fim de manterem o fluxo de capital
social. Para Burt (1992), o tempo e energia investidos para alcançar um agente com mais recursos gera
mais capital social. Cada tipo de recurso pode ser considerado uma relação na rede social
dependendo do número, dos tipos e da importância dos fluxos de recursos transacionados
(PROCOPIUCK, FREY, 2007). Portanto, observa-se a importância das relações sociais entre os
agentes das redes. Uma trama de conexões interpessoais provê os circuitos de fluxo de
informação, o aprendizado coletivo e também a formação de
estratégias eficazes.
3. Métodos da pesquisa
Esta pesquisa pode ser classificada como de natureza qualitativa, pois trabalha com o universo dos
significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes dos
empreendedores entrevistados (MINAYO et. al., 2009). Foi realizado, um estudo de caso de uma empresa residente
em uma incubadora de base tecnológica presente em uma universidade federal brasileira, denominada neste
estudo de Incubada. A escolha desta empresa como objeto de estudo deveu-se às seguintes
motivações: (i) trata-se de um empreendimento de base tecnológica que busca a
inovação como fator competitivo; (ii) a Incubada recentemente foi aprovada em um processo de
incubação; (iii) a Incubada ainda não possui faturamento e sobrevive de seus
relacionamentos com órgãos de apoio.
A técnica de coleta de dados consistiu em entrevistas semi-estruturadas, realizadas pelas com dois
dos sócios (EMP 01 e EMP 02) da Incubada, com duração média de trinta minutos
cada, em uma sala da incubadora de empresa cedida para a realização deste estudo. Essas
entrevistas foram gravadas com a autorização dos participantes e, posteriormente, transcritas
para serem submetidas à análise de conteúdo.
A análise de conteúdo é uma técnica de tratamento de dados que visa identificar o
que está sendo dito a respeito de determinado tema (VERGARA, 2006). Segundo Bardin (2007, p. 37)
“é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando
obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das
mensagens, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às
condições de produção/ recepção (variáveis inferidas)
destas mensagens.”
A interpretação dos dados foi realizada por meio do emparelhamento (pattern-matching),
pois os resultados da entrevista foram associados ao referencial teórico utilizado. Este emparelhamento
resultou em nove categorias de análise que permitiram a compreensão dos sentidos
atribuídos pelos empreendedores ao fenômeno de incubação e rede de relacionamentos.
Frases e parágrafos foram definidos como unidades de análise.
Assim, em relação ao tema empreendedorismo e inovação as categorias de
análise foram: ação empreendedora; inovação e novas oportunidades de
negócios. No que tange à incubação de empresa: fatores motivacionais de
incubação, aprovação no processo de incubação e vantagens da
incubação. E por fim, referente à rede de relacionamentos e capital social: foco das
relações, relevância das relações e relacionamentos diferenciados.
Os excertos extraídos das entrevistas foram dispostos em quadros, de acordo com as categorias
às quais foram classificados, conforme será demonstrado na análise de resultados.
Para mapeamento da rede de relacionamento da Incubada, obtida também por meio das entrevistas,
utiizou-se o software Ucinet® 6 e NetDraw para identificar os principais atores e
instituições que compõem a rede social da Incubada.
4. Apresentação dos resultados
A Incubada foi criada em 2008, atua na área de tecnologia, identificando e desenvolvendo produtos e
sistemas inovadores voltados ao agronegócio. A empresa ainda não comercializa seus produtos,
pois estes ainda se encontram em processo de desenvolvimento. O repertório interpretativo
“empreendedorismo e inovação” possui três categorias analisadas no quadro1.
A categoria ação empreendedora demonstra o perfil empreendedor dos
sócios os quais almejavam o desenvolvimento de uma atividade nova, utilizando seus horários
livres para o desenvolvimento de modelos que acreditavam serem diferenciados, demonstrando ser o empreendedor
um indivíduo capaz de gerar riquezas na transformação de conhecimentos em produtos e
serviços (DOLABELA, 1999). A inovação, em alguns momentos, corrobora o
perfil empreendedor no sentido afirmado pelo EMP 02 cuja expectativa é a criação de algo
diferente, por isso a opção por uma área ligada à inovação. Tal
característica também está presente no discurso do EMP 01 que relata a expectativa e o
desejo de novos projetos. Esta perspectiva acerca da inovação e ação empreendedora
assemelha-se sobremaneira à conceituação de Dosi (1988) acerca de inovação
como pesquisa, descoberta, experimentação, desenvolvimento, imitação e
adoção de novos produtos e processos de produção.
Como novas oportunidades de negócio, ambos os sócios vislumbram possibilidades
de a Incubada desenvolver negócios que extrapolem o agronegócio que é, atualmente, o foco
da empresa. A inovação presente nos produtos da Incubada é característica
relevante, segundo o EMP 02, para incentivar negócios potenciais. Outro ponto propulsor de novos
negócios é a parceria entre empresas, segundo os EMP 01 e EMP 02, pois se refletem em
possibilidades para a expansão da empresa por meio de novas oportunidades. Neste contexto, percebe-se
os EMP 01 e EMP 02 como articuladores de rede.
Fica evidente a importância da inovação e do empreendedorismo para os sócios da
Incubada, conforme preceitos schumpeterianos de necessidade de inovação para o crescimento e
desenvolvimento empresarial e, por conseguinte, econômico, conforme elucida o EMP 02.
Diante do contexto, o objetivo específico deste estudo – verificar se por meio da rede de
relacionamentos da incubada foi possível vislumbrar oportunidades de negócios inovadores –
é respondido, haja vista, ambos os entrevistados relatarem a possibilidade de novos negócios,
tendo em vista suas redes de relacionamentos.
Quadro 1 – Repertório interpretativo “empreendedorismo e
inovação”
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Categoria de análise
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Fragmentos ilustrativos
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Ação empreendedora
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[...] e surgiu uma idéia, ou posso dizer talvez que era até um
sonho ter algo nosso, algo que pudesse trabalhar que fosse nosso... EMP 02
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[...] inicialmente, começou com EMP 01 e eu fazendo protótipos
experimentais à noite, pós trabalho da empresa que a gente trabalhava...
EMP 02
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Inovação
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[...] e então, a gente tinha a expectativa de criar (...) algo que fosse
diferente e caminhamos para essa área de inovação... EMP
02
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[...] a aprovação de novos projetos que a gente vai tentar
também...outros produtos que a gente quer criar... EMP 01
|
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[...] o produto nosso, o carro chefe, ele é inovador, ... ele vai agregar
valor para uma cadeia produtiva que é importante para o Brasil... EMP
02
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Novas oportunidades de negócio
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[...] as relações constantemente aparecem...a gente vislumbra
alguma oportunidade. EMP 01
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[...] possibilidade (...) de parcerias com as outras empresas que estão
aqui, a aprovação de novos projetos também...pra submeter novos projetos, conta
muito o fato de estar aqui... EMP 01
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[...] em cima desse projeto chefe, ele agregou um conjunto de tecnologias, de
inovação que vai possibilitar a criação de novos produtos de
inovação... EMP 02
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[...] o foco da empresa hoje é o agronegócio, mas já vimos
que a nossa tecnologia pode ser aplicada principalmente, também no setor industrial...
EMP 02
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[...] a gente participou de um projeto recente em parceria com a EPAMIG e o CNPq
e vislumbramos ali a possibilidade de criar um novo produto... EMP 02
|
Fonte: dados da pesquisa.
No que tange ao repertório interpretativo “incubadora de empresas”, a categoria
fatores motivacionais de incubação demonstra que a proximidade à
universidade, proporcionada pela incubação; o apoio, principalmente, físico e a chancela
dada ao mercado, devido ao atrelamento do nome da Incubada à universidade, foram os principais fatores
motivacionais para a Incubada.
O apoio a que se referem os entrevistados é considerado pela ANPROTEC e SEBRAE (2002) parte do
processo inerente à incubação, visto que as incubadoras têm por objetivo a apoiar
novos empreendimentos.
É sabido que a intervenção de agentes como o governo e a universidade são
indispensáveis no processo de incubação, conforme afirma Paletta (2008), entretanto,
neste caso, a incubadora atrelada à universidade, constitui motivador para a Incubada.
Em contrapartida, aos benefícios concedidos aos empreendimentos, foi exigido um plano de
negócios, classificado pelo EMP 01, como bastante exigente e trabalhoso. Entretanto, o EMP 01 julga a
Incubada como apta a ter o apoio da incubadora, por ter demonstrado atributos que se adequavam às
exigências da incubadora.
Os EMP 01 e EMP 02 apontam como vantagens da incubação o fato de a
acessibilidade a recursos financeiros ser mais fácil e, talvez este seja um dos fatores que
proporcionem maiores chances de sobrevivência das empresas incubadas quando comparadas às
não incubadas, conforme demonstram vários estudos (ARAGÃO, 2005; BAÊTA et. al.,
2006; MIZIARA, CARVALHO, 2008; PALETTA, 2008; GALLON et. al., 2009).
Assim, fica evidente o papel das universidades como órgão de apoio de relevante
representatividade, visto permitirem a integração dos setores privado, público e das
universidades na forma de empreendimentos. Tais constatações podem ser verificadas pelos
excertos presentes no quadro 2.
Quadro 2 - Repertório interpretativo “incubadora de
empresas”
|
Categoria de análise
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Fragmentos ilustrativos
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Fatores motivacionais de incubação
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[...] quando você faz inovação, quanto mais perto da
universidade melhor.... EMP 02
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[...] primeiro esse apoio físico que a própria incubadora nos
fornece... O outro é o lado de parcerias mesmo, de projetos e de inovação...
EMP 02
|
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[...] é uma empresa nova, com um produto novo, mas incubada pela
universidade. Isso dá um respaldo, paras pessoas de fora, muito forte. EMP
01
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Aprovação no processo de
incubação
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[...] a gente teve um trabalho bem grande em preparar um plano de negócios
(...) bem exigente (...) foram muitos tópicos. EMP 01
|
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[...] nossa proposta se enquadrava com as ideias deles (universidade) que
é a inovação tecnológica, dentro das linhas que eles exigiam,
demonstrando o potencial do produto, potencial de mercado, potencial de outras tendências
futuras... EMP 01
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Vantagens da incubação
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[...] Aprovação de projetos e as pessoas começam a te olhar
com outros olhos... EMP 02
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[...] Acesso a órgãos de fomento é mais fácil, acesso
a recursos financeiros (...) há uma linha de financiamento específica para empresas de
incubação (...) abertura de portas com clientes (...) alguns apoios específicos
da incubadora... EMP 01
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[...] quando as pessoas perguntam para gente “quem são
vocês” e a gente falou que era uma empresa incubada pela universidade, aquilo é
como fosse um aval, aquilo agregava um valor a mais naquele produto... EMP 02
|
Fonte: elaborado com base nos dados da pesquisa.
O quadro 3, a seguir, demonstra os fragmentos ilustrativos do repertório de
interpretações “rede de relacionamentos e capital social”, na categoria foco
das relações fica evidente que a Incubada espera da rede de relacionamentos, na qual
está inserida, apoio para a realização de projetos que agreguem valor a seus produtos e
projetos, bem como, a utilização desses contatos para o lançamento de seus produtos. Os
EMP 01 e EMP 02 demonstram que os contatos, em cada área específica, auxiliam de formas
distintas, mas necessárias para a evolução da Incubada. Tais relacionamentos corroboram
com as ideias de Granovetter (1973) no sentido de que uma organização leva a outra a agir em
rede, portanto, não há ausência de ligação entre firmas, sempre há
uma ligação, seja forte ou fraca.
O EMP 01 deixa explícita a relevância das relações para a
Incubada quando afirma serem “a razão da empresa existir”. É perceptível a
presença de confiança nas relações apresentadas configurando ponto decisivo para
haver trocas efetivas (BURT, 1992), inclusive de capital social, conforme afirmam os EMP 01 e EMP 02 ao
citarem, como parceiras, as empresas de tecnologia presentes na universidade, inclusive vislumbrando
compartilharem o mesmo mercado.
Os entrevistados afirmam que a Incubada possui relacionamentos que constituem
diferencial com todos seus parceiros, pois todos eles, à sua maneira constituem-se
como importantes para a Incubada. Neste sentido, Anand et. al. (2002) ressaltam a necessidade de contar com
redes de relacionamento para tirar o máximo proveito do capital social dos parceiros.
Insta ressaltar que algumas instituições são consideradas apoiadoras e não
parceiras, pois oferecem mais a Incubada do lhe é remetido como contrapartida, segundo o EMP 01. Apesar
disso, dessa condição ser considerada temporária, pois afirma que a Incubada
“ainda” não pode oferecer retorno à altura para a incubadora. A
atuação de empresas em redes é, segundo Balestrin et. al. (2005), fundamental para a
aquisição de novas competências, conservação de recursos, atingimento de
novos mercados, divisão de riscos, entre outros.
Diante ao exposto, o objetivo específico – identificar quais são os fatores
intervenientes no processo de decisão de incubar – pode ser respondido, à medida que foram
evidenciados pelos entrevistados, fatores como: a valorização da pesquisa para o desenvolvimento
de produtos inovadores, a credibilidade conferida pela “tutela” da universidade, os pontos de
auxílio e canais de acesso oriundos dos parceiros, as possibilidades de acesso ao mercado e a
facilidade de acesso a órgãos de fomento. Assim, percebe-se que todos os fatores supracitados
são característicos de empresas inseridas em redes de relacionamentos e podem, em um universo
composto por MPE’s, ser considerados diferenciais competitivos.
Quadro 3 – Repertório significativo “redes de
relacionamento e capital social”
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Categoria de análise
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Fragmentos ilustrativos
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Foco das relações
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[...] então, estando aqui (na universidade), você tem a
possibilidade de ...pegar uma pesquisa e aplicar aquilo de forma que possa agregar valor alguma
coisa no mercado... EMP 02
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[...] O nosso principal desafio (...) é nossa entrada no mercado (...) os
principais passos que eu vejo é essa rede nos auxiliar nesse processo. EMP
01
|
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[...] são contatos (...) da área que a gente atua (...) na
área de subvenção, na área de agronegócios, algumas empresas como
a EPAMIG, Pólo (do Café), na parte de fomento CNPq, FAPEMIG, FINEP (...)
empresas que fazem parte do pólo de TI (...) empresas que também estão aqui
(...) principal foco é o apoio e o auxílio mútuo para as empresas estarem
crescendo. EMP 01
|
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[...] o foco nosso é isso, é fazer uma ligação entre
a pesquisa universitária e o mercado... EMP 02
|
|
[...] a utilização dos contatos do Pólo (...) de outras
empresas, que está introduzindo em um mercado comum (...) o apoio da universidade, da
FAPEMIG, desses órgãos. EMP 01
|
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Relevância das relações
|
[...] Pólo (...) do Café, o pólo de TI (...), universidade,
FAPEMIG, FINEP, CNPq (...) esses seriam os principais. É a razão da empresa
existir...é como começou tudo. EMP 01
|
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Relacionamentos diferenciados
|
[...] Acredito que todos (parceiros) seriam altamente relevantes porque,
em algum aspecto, todas as nossas parcerias ajudaram a gente a chegar aqui... EMP
01
|
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[...] (universidade, FAPEMIG, CNPq são instituições) mais de
apoio porque a gente não dá um feedback a altura, não o tanto que eles
dão pra gente, pelo menos, não ainda. EMP 01
|
|
[...] nossa evolução é totalmente ligada a essas parcerias,
essa rede de relacionamento (...) esses pontos de acesso (...) é interessante que cada um tem
uma característica específica, mas dentro dessa trajetória todos
contribuíram muito. EMP 01
|
Fonte: elaborado com base nos dados da pesquisa.
A partir do mapa de relacionamento da
Incubada, apresentado na figura 1, pode-se inferir que os principais agentes dessa rede são: a
universidade, o Pólo do Café, os órgãos de apoio à pesquisa (FAPEMIG, CNPq,
EPAMIG, SEBRAE) e subvenção econômica (FINEP). Conforme citado pelos entrevistados,
há a expectativa que os laços com as demais empresas incubadas sejam fortalecidos. Entretanto, o
EMP 01 ressalta que todos os atores têm papel de destaque nesta rede de relacionamentos, uma vez que,
todos eles, à sua forma, contribuíram para a evolução da Incubada.

Figura 1: Mapa de relacionamento da incubada
Fica claro, no mapa de relacionamentos da Incubada, a forte relevância de atores ligados à
inovação e ao incentivo ao empreendedorismo, isto é, percebe-se que na rede de
relacionamentos da Incubada tais atributos possuem papel de destaque e constituem pilares para o
desenvolvimento e evolução da empresa.
5. Considerações finais
A presente pesquisa teve como principal finalidade proporcionar a compreensão da problemática
do papel das redes de relacionamentos para uma empresa de negócios inovadores de uma incubadora de base
tecnológica.
Verificou-se que a rede de relacionamentos na qual a Incubada está inserida não é de
fundamental importância para esta. Percebe-se, nos excertos das entrevistas, que alguns agentes de sua
rede de relacionamento são a razão de existir da Incubada e que há dependência
desta para com a universidade e com os órgãos de apoio e de fomento que financiam o
desenvolvimento dos produtos e permitem a sobrevivência da empresa. No entanto, outras empresas
incubadas, fornecedores e clientes também aparecem na rede. Desta maneira, por meio de suas
relações, a Incubada busca apoio em outras organizações para crescer.
Os resultados da pesquisa atestaram que,
por meio da rede de relacionamentos, a Incubada já vislumbrou novas oportunidades de negócios
inovadores, sempre com o foco em inovação. Quando se observa a dependência da Incubada em
relação à universidade, percebe-se uma valorização da proximidade desta com
a pesquisa, ademais, a Incubada acredita que o nome da universidade, na qual está inserida,
poderá catalisar relações no mercado e este foi o fator interveniente principal para a
decisão de incubar.
Ao finalizar este trabalho, algumas limitações merecem ser destacadas. A primeira é que
não foi possível entrevistar todos os sócios da Incubada, pois apesar de composta por
apenas três membros, o terceiro sócio não teve disponibilidade para ser entrevistado. O
fato de a empresa ter sido incubada há pouco tempo é o segundo fator limitante. A Incubada
possui perspectivas positivas, no entanto poucos resultados concretos. Por isso, recomenda-se estudos
empíricos que visem à mensuração de tais resultados. Ademais, seria relevante
realizar o mesmo estudo com todas as empresas da incubadora de base tecnológica estudada, a fim de
realizar um estudo multi-caso e mapear os relacionamentos entre as incubadas.
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